Se a resposta é sim, cabe a pergunta: a incubadora ou útero em que foram gerados era de carne e ossos ou um útero espiritual? Se a opção é a segunda, como seriam alimentados por matéria orgânica por um duto espiritual?
Se não, também cabe outra pergunta: eles não eram humanos como nós? Assim, os umbigos de Adão e Eva nos levam para questões primordiais: saber que tipo de seres humanos eles eram e se de fato ali no texto trata-se de dois seres humanos ou apenas de símbolos do masculino e feminino.
Se o texto é literal, então temos elementos bastante complexos a investigar: eram de pele branca, morena ou negra? Quem os criou? Quem os ensinou a falar? Qual era o idioma que o primeiro casal falava? Eles tiveram infância ou lá foram colocados adultos?
A igreja cristã dos tempos medievais não sabia lidar com isso e mandou cobrir o umbigo e o sexo em algumas pinturas da época. Mandou colocar folhas de videira ou lençóis branquinhos nas pinturas de forma a eliminar os problemas umbilicais.
Adão continuava pintado como um homem branco, mesmo tendo surgido no Oriente Médio. Temos aí um outro embate, uma vez que os registros mais antigos da espécie humana colocam o início do homem na África. Criacionismo ou Evolucionismo? Eis outra grande questão a ser respondida. Os adeptos da teologia tradicional se abraçam a primeira opção. Os que se baseiam em dados científicos, uma vez que a Bíblia não é um manual de ciências naturais, se abraçam a segunda.
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quarta-feira, 23 de setembro de 2020
Adão e Eva tinham umbigo?
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terça-feira, 22 de setembro de 2020
SERPENTE DO GÊNESIS É UMA COBRA?
O Antigo Testamento usa o termo nachash dezenas de vezes para designar todo tipo de serpentes, reais ou míticas. O primeiro emprego é no Gênesis, em relação à serpente que convence Eva a provar o fruto proibido.
A Bíblia hebraica não costuma fazer animais falarem. A outra exceção é a jumenta de Balaão, mas esta fala por milagre de Yahweh, o que não é o caso da serpente do jardim do Éden. Além disso, a narrativa dá a entender que a serpente foi condenada a se arrastar no chão depois desse episódio, o que pode dar a entender que, antes, ela possuía pernas. Será?
A explicação mais razoável é que o episódio do Jardim do Éden é uma fábula que deve ser interpretada em sentido alegórico e não ao pé da letra. Ao longo dos séculos, porém, muitas linhas interpretativas concluíram que a nachash do Jardim do Éden não era uma serpente no sentido usual da palavra, mas um simbolismo da perspicácia, a curiosidade humana sempre querendo ultrapassar os limites.
Na arte cristã da Baixa Idade Média e Renascença, era comum representar a serpente do Éden como uma cobra, lagarto ou dragão com cabeça de mulher.
Em hebraico, Eva é חַוָּה, Chawwāh, significa "que dá vida", segundo a etimologia tradicional, mas alguns derivam esse nome - que ela só recebeu depois da maldição - de uma raiz semítica cognata ao aramaico chawya’, "serpente" (com a conotação de "enroscada", "enrolada"), que tem cognatos em outras línguas semitas (embora não exista com esse significado em hebraico bíblico). A deusa ugarítica do submundo era chamada Chwt e pode ter sido uma deusa-serpente.
Um comentário rabínico tradicional apoia-se no trocadilho em aramaico: "a serpente (chawya’) foi a serpente de Eva (chawwāh) e Eva foi a serpente de Adão" - daí, possivelmente, a tendência a representar a serpente não só com cabeça de mulher.
A própria noção de uma entidade chamada "Lúcifer" no Antigo Testamento é obscura: o nome (הילל, Hêlēl, "estrela da manhã") é usado apenas em Isaías, como referência metafórica ao rei de Babilônia. A identificação de Nachash com Lúcifer ou Satã foi, porém, reforçada pela descrição de Satã como "a antiga serpente" (ton ophin ton archaion) no Apocalipse.
Eram os dias do livro da criação dias de 24 horas?
No livro do Gênesis houve primeiro, segundo é terceiro dia (com tardes é manhãs), mesmo antes dos luminares postos para regular o dia é a noite, que só no quarto dia são ajustados para esse fim.
◄ Gênesis 1:5 ►
Chamou Deus à luz “Dia”, e às trevas chamou “Noite”. Houve então, a tarde e a manhã: o primeiro dia.
◄ Gênesis 1:8 ►
E Deus ao firmamento deu o nome de “Céu”. A tarde passou, e raiou a manhã: esse foi o segundo dia.
◄ Gênesis 1:13 ►
Passaram-se a tarde e a manhã: esse foi o terceiro dia.
Mas a separação do dia e da noite só no verso 14:
◄ Gênesis 1:14 ►
Declarou Deus: “Haja luminares no firmamento do céu a fim de separar o dia da noite; e sirvam eles de sinais para definir as estações, dias e anos;
◄ Gênesis 1:15 ►
e que sejam também luzeiros nos céus, para iluminar toda a terra!” E assim aconteceu.
◄ Gênesis 1:16 ►
Deus fez os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia e o menor para regular o andamento da noite. E formou também as estrelas.
◄ Gênesis 1:17 ►
Deus colocou todas essas luzes nos céus a fim de iluminarem toda a terra,
◄ Gênesis 1:18 ►
para dirigirem o andamento do dia e da noite e fazerem separação entre a luz e a escuridão. E observou Deus que isso era bom.
Pergunta:
Os três primeiros dias eram dias de 24 horas? Não.
O 4⁰, 5⁰, 6⁰ e 7⁰ dia no Gênesis eram de 24 horas, já que os luminares estavam estabelecidos? Não. Se os três primeiros dias tiveram um período indeterminado, uma vez que os luminares não estavam postos, as expressões tarde e manhã, apenas indicam estágios do processo de criação. Quem poderá afirmar que os dias que seguiram eram de 24 horas?
Muitos dirão: "Ora bolas, os luminares já estavam ordenando as 24 horas do dia a partir do quarto dia." Mas quem garante que o dia e a noite do Gênesis tinham 24 horas? Ah, e as expressões tarde e manhã? As mesmas que aparecem nos versículos 5, 8 e 13, quando os luminares não estavam postos para determinarem a divisão do dia e da noite.
Conclui-se então que honestamente ninguém pode afirmar que os dias do livro da criação são de 24 horas.
sábado, 19 de setembro de 2020
1000 FACES DA BÍBLIA
42-99932-6191
quarta-feira, 16 de setembro de 2020
O Deus Bíblico Criou ou Transformou o Que Já Existia?
Antes de examinarmos os verbos em hebraico, é preciso ressaltar que no latim também temos uma particularidade. Há uma nítida diferença entre CREAR (trazer a existência) e CRIAR (formar e transformar).
Vejamos:








