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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Adão e Eva tinham umbigo?




Se a resposta é sim, cabe a pergunta: a incubadora ou útero em que foram gerados era de carne e ossos ou um útero espiritual? Se a opção é a segunda, como seriam alimentados por matéria orgânica por um duto espiritual?

Se não, também cabe outra pergunta: eles não eram humanos como nós? Assim, os umbigos de Adão e Eva nos levam para questões primordiais: saber que tipo de seres humanos eles eram e se de fato ali no texto trata-se de dois seres humanos ou apenas de símbolos do masculino e feminino.

Se o texto é literal, então temos elementos bastante complexos a investigar: eram de pele branca, morena ou negra? Quem os criou? Quem os ensinou a falar? Qual era o idioma que o primeiro casal falava? Eles tiveram infância ou lá foram colocados adultos?

A igreja cristã dos tempos medievais não sabia lidar com isso e mandou cobrir o umbigo e o sexo em algumas pinturas da época. Mandou colocar folhas de videira ou lençóis branquinhos nas pinturas de forma a eliminar os problemas umbilicais.
Adão continuava pintado como um homem branco, mesmo tendo surgido no Oriente Médio. Temos aí um outro embate, uma vez que os registros mais antigos da espécie humana colocam o início do homem na África. Criacionismo ou Evolucionismo? Eis outra grande questão a ser respondida. Os adeptos da teologia tradicional se abraçam a primeira opção. Os que se baseiam em dados científicos, uma vez que a Bíblia não é um manual de ciências naturais, se abraçam a segunda.


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terça-feira, 22 de setembro de 2020

SERPENTE DO GÊNESIS É UMA COBRA?

 


O Antigo Testamento usa o termo nachash dezenas de vezes para designar todo tipo de serpentes, reais ou míticas. O primeiro emprego é no Gênesis, em relação à serpente que convence Eva a provar o fruto proibido.

A Bíblia hebraica não costuma fazer animais falarem. A  outra exceção é a jumenta de Balaão, mas esta fala por milagre de Yahweh, o que não é o caso da serpente do jardim do Éden. Além disso, a narrativa dá a entender que a serpente foi condenada a se arrastar no chão depois desse episódio, o que pode dar a entender que, antes, ela possuía pernas. Será?

A explicação mais razoável é que o episódio do Jardim do Éden é uma fábula que deve ser interpretada em sentido alegórico e não ao pé da letra. Ao longo dos séculos, porém, muitas linhas interpretativas  concluíram que a nachash do Jardim do Éden não era uma serpente no sentido usual da palavra, mas um simbolismo da perspicácia, a curiosidade humana sempre querendo ultrapassar os limites. 

Na arte cristã da Baixa Idade Média e Renascença, era comum representar a serpente do Éden como uma cobra, lagarto ou dragão com cabeça de mulher. 

Em hebraico, Eva é חַוָּה, Chawwāh, significa "que dá vida", segundo a etimologia tradicional, mas alguns derivam esse nome - que ela só recebeu depois da maldição - de uma raiz semítica cognata ao aramaico chawya’, "serpente" (com a conotação de "enroscada", "enrolada"), que tem cognatos em outras línguas semitas (embora não exista com esse significado em hebraico bíblico). A deusa ugarítica do submundo era chamada Chwt e pode ter sido uma deusa-serpente.

Um comentário rabínico tradicional apoia-se no trocadilho em aramaico: "a serpente (chawya’) foi a serpente de Eva (chawwāh) e Eva foi a serpente de Adão" - daí, possivelmente, a tendência a representar a serpente não só com cabeça de mulher.

A própria noção de uma entidade chamada "Lúcifer" no Antigo Testamento é obscura: o nome (הילל, Hêlēl, "estrela da manhã") é usado apenas em Isaías, como referência metafórica ao rei de Babilônia. A identificação de Nachash com Lúcifer ou Satã foi, porém, reforçada pela descrição de Satã como "a antiga serpente" (ton ophin ton archaion) no Apocalipse.



Eram os dias do livro da criação dias de 24 horas?

 


No livro do Gênesis houve primeiro, segundo é terceiro dia (com tardes é manhãs), mesmo antes dos luminares postos para regular o dia é a noite, que só no quarto dia são ajustados para esse fim.

◄ Gênesis 1:5 ►

Chamou Deus à luz “Dia”, e às trevas chamou “Noite”. Houve então, a tarde e a manhã: o primeiro dia.

◄ Gênesis 1:8 ►

E Deus ao firmamento deu o nome de “Céu”. A tarde passou, e raiou a manhã: esse foi o segundo dia.

◄ Gênesis 1:13 ►

Passaram-se a tarde e a manhã: esse foi o terceiro dia.

Mas a separação do dia e da noite só no verso 14:

◄ Gênesis 1:14 ►

Declarou Deus: “Haja luminares no firmamento do céu a fim de separar o dia da noite; e sirvam eles de sinais para definir as estações, dias e anos;

◄ Gênesis 1:15 ►

e que sejam também luzeiros nos céus, para iluminar toda a terra!” E assim aconteceu.

◄ Gênesis 1:16 ►

Deus fez os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia e o menor para regular o andamento da noite. E formou também as estrelas.

◄ Gênesis 1:17 ►

Deus colocou todas essas luzes nos céus a fim de iluminarem toda a terra,

◄ Gênesis 1:18 ►

para dirigirem o andamento do dia e da noite e fazerem separação entre a luz e a escuridão. E observou Deus que isso era bom.

Pergunta:

Os três primeiros dias eram dias de 24 horas? Não. 

O 4⁰, 5⁰, 6⁰ e 7⁰ dia no Gênesis eram  de 24 horas, já que os luminares estavam estabelecidos? Não. Se os três primeiros dias tiveram  um período indeterminado, uma vez que os luminares não estavam postos, as expressões  tarde e manhã,  apenas indicam estágios do processo de criação. Quem poderá afirmar que os dias que seguiram eram de 24 horas?

 Muitos dirão: "Ora bolas, os luminares já estavam ordenando as 24 horas do dia a partir do quarto dia." Mas quem garante que o dia e a noite do Gênesis tinham 24 horas? Ah, e as expressões tarde e manhã? As mesmas que aparecem nos versículos 5, 8 e 13, quando os luminares não estavam postos para determinarem a divisão do dia e da noite. 

Conclui-se então que honestamente ninguém pode afirmar que os dias do livro da criação são de 24 horas.






sábado, 19 de setembro de 2020

1000 FACES DA BÍBLIA


LANÇAMENTO 
 EM NOVEMBRO  
DE 2020


Lendo este livro você irá compreender

porque baseadas na Bíblia surgiram

dezenas de milhares de igrejas cristãs,

cada uma advogando para si a  mais perfeita

 interpretação e  divina autoridade.

        A maioria dos cristãos e adeptos de outras confissões religiosas  não têm a mínima ideia da origem da sua religião e muitos dos seus líderes   não têm a mínima intenção de compartilhar aspectos obscuros da sua teologia com os leigos, visto que tal atitude diminuiria a sua imagem de porta-voz da divindade. O que observamos é que uma geração vai repetindo o que a outra disse como verdadeiros papagaios. O que fazemos neste simples volume é uma tentativa de mostrar que há na Bíblia elementos contraditórios e inconsistentes  que podem ser facilmente demonstrados sem que isso ofusque o seu aspecto místico e a sua importância histórica e o seu caráter teológico. As observações registradas seguem  uma constatação de registros históricos incontestáveis. Faça a sua própria busca e julgue se aquilo que será apresentado confere  cem por cento com a verdade.

       Como os especialistas sabem, há dezenas de versões das assim chamadas escrituras originais. As mais importantes são a Septuaginta, primeira versão grega da Torá (Antigo Testamento) feita em Alexandria a pedido de Ptolomeu Lagos (367-282 a. C.), e a Vulgata Latina, que é a tradução para o latim das Escrituras Hebraicas por São Jerônimo, ele viveu entre os anos de 342 e 420 d.C., era um grande sábio e padre de Belém e Cesaréia, conhecedor profundo do latim, grego e hebraico.  O papa Dâmaso o convocou para traduzir uma enorme quantidade de manuscritos destoantes, o qual assim desabafou ao terminar a obra em uma carta ao Papa: 

 De velha obra me obrigais a fazer obra nova. Quereis que de alguma sorte eu  me coloque como árbitro entre os exemplares das Escrituras que estão dispersos pelo mundo? Como  diferem entre  si  para  que faça distinção com  os  que  estão de  acordo  com  o verdadeiro texto grego. É um piedoso trabalho, mas é um perigoso arrojo da parte de quem deve ser julgado por todos.”   
       
        Há incontáveis textos na Bíblia que ainda hoje parecem incompreensíveis, principalmente porque há uma tendência na maioria dos seus intérpretes de aceitar como literal aquilo que é apenas uma alegoria, um simbolismo. As passagens bíblicas que compilamos para esta edição são amplamente conhecidas por aqueles que estudam a Bíblia, mas que ainda suscitam calorosos debates em todos os segmentos cristãos pelo mundo. Leiamos os textos  com a mente aberta sem aquela auréola de possuidores da única visão agraciada pelo Todo Poderoso.



ethel.editora@gmail.com

42-99932-6191
 







quarta-feira, 16 de setembro de 2020

O Deus Bíblico Criou ou Transformou o Que Já Existia?


Antes de examinarmos os verbos em hebraico,  é preciso ressaltar que no latim também temos uma particularidade. Há uma nítida  diferença entre CREAR (trazer a existência) e CRIAR (formar e transformar).

Segue uma análise dos dois verbos que aparecem no texto original do  livro do Gênesis  (Bereshit) e precisam ser analisados para uma melhor compreensão do que foi escrito:  
 
Bereshit (do hebraico בראשית, Bereshít, "no início", "no princípio", a primeira palavra do texto) é o nome da primeira parte da Torá. 

Bereshit é chamado comumente de Gênesis pela tradição ocidental.

 "No princípio criou Deus os céus e a Terra". (Gn 1.1)

Aqui temos o verbo "Bara": criar, referente à criação de algo a partir de matéria inexistente. 
Significa: "sair de dentro de...". 

A luz criada saiu de dentro de Deus quando Ele disse: "Haja luz!"

"E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra." (Gn 2:7)

Aqui temos o verbo "Asah": criar, referente à criação de algo a partir de matéria existente. Traduzido por "Formar ou transformar".

Deus trouxe a existência e também transformou a sua criação.
Portanto, do elemento já  criado o Deus Criador do Gênesis que na língua  grega  é chamado de "technikon",  transforma o que já foi criado.  Emprega a matéria pré-existente  para transformá-la em outra substância, ou manifestação de vida.



Vejamos: